sexta-feira, 1 de junho de 2012

Os bons modos do Candomblé


Muito se fala em fundamentos, em qualidades, em receitas feitas e apostilas, mas pouco se fala em postura, ética, moral dentro da casa de asé.

De longa data se enfatiza que o respeito para com os mais velhos deve ser preservados e praticado para uma boa trajetória na via de santo...."Para ser um bom pai primeiro deve-se aprender a ser um bom filho"....Você sabe como um abian deve ser comportar?...Sabe como um Iyawo deve se portar?....

Se não sabe a resposta para essas perguntas, então está precisando rever os seus conceitos de filho de santo...filho de asé

Abian, não deixa de ser um cargo, pois considera abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação, segundo alguns pesquisadores. Mas do que isso, o abian é peça fundamental para que se propague o Asé, para que se propague as boas práticas da religião, fato que está muito escasso hoje em dia.

Todavia, enxovalhados estão os templos de pessoas não iniciadas que mal sabem se portar, mal sabem seu papel, e porque?...Simplesmente por falta de informação, por falta de zelo, por falta ensinamento.

Não tão raros aqueles abians que realmente não querem saber o seu lugar, simplesmente querem um lugar.

Uma casa de santo só consegue sobreviver se ela tiver o cuidado de saber quem entra e que fica no Asé...O Orisa tem papel importante na permanência deste, mas a responsabilidade é do Sacerdote...Toda casa terá todo o tipo de abian, iyawo, etc...., porque ela precisa dessas pessoas, problemáticas ou não, pois as vezes essa problemática tem remédio......Mas abian deve ter sim uma atenção especial porque é desta atenção que sairá um mal ou um bom filho de santo.....

Abian pode estar inserido em quase todas as funções externas ao Awo, ao quarto de santo, dai sai seu aprendizado e quem ensina com carinho, respeito terá destes hoje e sempre.

Mas o que ele não pode fazer?

Muitas coisas como por exemplo: Desrespeitar os mais velhos seja ele qual for, não perguntar insistentemente coisas que não são o tempo de aprender.....Surgiu uma dúvida pergunte ao filho de santo, se este não souber, ambos estão no mesmo barco....Ainda não está no tempo de saber.

Ao chegar na casa do santo, antes de trocar bênção, espere seu corpo esfriar da rua, tome o amaci para se purificar e ai sim peça bênção ao Sacerdote e depois troque bênçãos com os demais começando do mais velho ao mais novo.

Na casa de Asé há muito o que fazer, e é explicito e transparente a necessidade de o fazer, por isso, seja pro-ativo, se achar que não tem que fazer, antes de não fazer pergunte...Posso...?

Não fique de conversa paralela na casa do santo....Separatismo deve existir em outros lugares na casa de santo, o famoso bolinho sempre será mal quisto e com certeza será marcado, pois a primeira impressão de quem chega pela primeira vez é a que fica.

Observe a casa, observe se condiz com a religião...Observe a energia e a sinergia das pessoas de lá...

Não sou hipócrita e por isso aconselho, se achar que ali não é o seu lugar, que não condiz com você, com todo o respeito, comunique que lá não é o seu lugar. Hoje em dia com a proliferação de saca de asé, lhe é permitido não morrer em um lugar sem tradição, sem o certo e o errado.

Seja humilde, seja prestativo e com certeza o Orisa lhe mostrará o caminho correto.


Asé, Asé, Asé

Lei obrigatória levará candomblé às salas de aula

Diante das polêmicas envolvendo um acordo entre o Congresso Nacional e o Vaticano, o Ministério da Educação (MEC) decidiu reavaliar o futuro da disciplina de Ensino Religioso propondo sua submissão a diretrizes oficiais. De acordo com o MEC, “a instituição do catolicismo nas salas de aula confronta a laicidade estatal, sendo ideal o aproveitamento de tal disciplina para uma retratação histórica devida aos afrodescendentes brasileiros por anos de desumanização, exploração escravista, genocídio físico e cultural. Este último, realizado através da repressão direta ou estigmatização de suas crenças pelo cristianismo”. A proposta do Ministério é que a disciplina enfoque seu conteúdo nas religiões de matriz africana, com ênfase no candomblé. O programa proposto engloba temas como “Filosofia do Orum”, “Panteão dos Orixás”, “Introdução à Quimbanda”, “Sacramento da Jurema Sagrada”, “Umbanda e Catimbó”, dentre outros.

Adepto, saiba seus direitos...

Legislação e Candomblé/ CONHEÇA OS SEUS DIREITOS

Exercer a cidadania passa necessariamente por um reconhecimento dos direitos e deveres a que todos estamos submetidos.Os adeptos do Candomblé têm sido constantemente aviltados, vilipendiados, impedidos de gozar de direitos que a legislação vigente lhe assegura.O que acontece é que infelizmente boa parte dessas pessoas não sabem que a lei assegura a prática de suas liturgias e qualquer cidadão tem o direito de professar a religião que bem entender e isso é mais que um direito assegurado pela constituição da República Federativa do Brasil, é trecho essencial da declaração universal dos Direitos do Homem.Portanto, vamos fazer valer os nossos direitos, vamos exigir respeito e tolerância.
Não se deixe humilhar, se alguém ofender sua crença, sua religião, saiba que há leis que a protegem
Pensando nisso,vamos transcrever um artigo que consta do livro Candomblé:a panela do segredo, de Pai Cido de Oxum (3.ed., São Paulo:Arx, 2002), para difundir entre o maior número de pessoas os direitos que a legislação assegura a todos os cidadãos brasileiros, inclusive para os adeptos do Candomblé.
Não se deixe humilhar, se alguém ofender sua crença, sua religião, saiba que há leis que a protegem e cobre das autoridades competentes as devidas providências, previstas, inclusive, no código penal.Leia com muita atenção e guarde na memória os artigos, parágrafos e incisos que podem, e devem ser evocados caso sua religião ou você enquanto fiel sejam desrespeitados.
Legislação e Candomblé
Babalorixás e iyálorixás devem ser conscientes de suas obrigações com a sociedade e com os deuses africanos, e essa tendência, felizmente, tem se solidificado ao longo desses anos.Muitos.porém, desconhecem seus direitos, deixando-se subjulgar e admitindo ser tratados como cidadãos de segunda categoria.
Por se tratar de religião e cultura, o Candomblé é duplamente protegido na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil.
É preciso, portanto, difundir os direitos dos adeptos do Candomblé,bem como dos templos religiosos, assegurando a liberdade e a igualdade entre todos os brasileiros, independente de sexo, cor, situação social ou religião.
O grande desafio que se impõe ao Candomblé na atualidade é ser reconhecido como religião. A questão, embora muito clara para intelectuais de diversas áreas, sobretudo a antropologia e a ciências sociais, ainda permanece como uma incógnita para a sociedade, que não diferencia as religiões definidas como mediúnicas das de origem renciação e conhecimento;Candomblé é religião, não é seita”.Que fique bem claro, especialmente para os adeptos do Candomblé (já que qualquer movimento de revalorização começa de dentro pra fora).Candomblé é religião e muito mais, pois, ao preservar tantas tradições trazidas por nossos antepassados negros, tornasse um importante foco de resistência da cultura afro-brasileira .Por se tratar de religião e cultura, o Candomblé é duplamente protegido na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil. Outrossim, artigo 208 do Código Penal Brasileiro prevê, para o crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo, pena de detenção de um mês a um ano ou multa.Para que todas as pessoas que professam o Candomblé fiquem cientes dos seus direitos é bom observar com atenção os artigos constitucionais que podem que podem e devem ser evocados quando qualquer cidadão sentir-se aviltado no que diz respeito à liberdade de crença religiosa.O artigo 5° da Constituição Federal assegura:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes à igualdade, à segurança e à propriedade.
O estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional.
Portanto, como a instituição assegura que não deve haver distinção de qualquer natureza, católicos, protestantes, evangélicos, umbandistas, espíritas, budistas, mulçumanos, membros do Candomblé e etc… são iguais em direitos e obrigações, estamos pois, submetidos às mesmas leis e devemos observar o inciso VI do artigo 5° da Carta Política de 1988, que diz:
É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma , da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.Ainda na Constituição Federal, o parágrafo 1° do artigo 215 deixa muito claro que o Candomblé que é também evidente manifestação da cultura popular afro-brasileira, pode contar com a proteção do estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
Parágrafo 1°. O estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e dos outros grupos participantes do processo civilizatório Nacional. Na legislação infraconstitucional diretamente relacionada ao inciso VI do artigo 5°, o artigo 208 do Código Penal, merece menção, haja vista dos crimes que define têm sido cometidos frequentemente contra adeptos das religiões afro-brasileiras sem que se tomem providências primeiramente por uma nítida falta de interesse das autoridades e depois por que os adeptos, na maioria das vezes, não sabem que tais atos constituem crime.
Fazer uma oferenda numa encruzilhada é um direito,assim como é um direito do crente pregar em praça pública ou do católico fazer procissões.
Artigo 208.Escarnecer de alguém, publicamente, por motivos de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa.
Parágrafo único.Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente violência.
Como fica a situação quando a polícia, respaldada pelo poder do estado, infringe a lei?Se considerarmos que a proteção aos locais de culto e as suas liturgias é garantida na forma da lei, é dever da polícia, quando solicitada, prestar assistência aos adeptos para que possam cumprir seus rituais com segurança e não impedi-los por exemplo , de fazer suas oferendas.
Fazer uma oferenda numa encruzilhada é um direito, assim como é direito de um crente pregar em praça pública ou do católico, fazer procissões.A polícia também não pode invadir um terreiro de Candomblé, a menos que observe os trâmites legais.Todos tem direito a liberdade religiosa, que não atinge um grau absoluto, pois não são permitidos a nenhuma religião ou culto, atos atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e criminal.
Todos tem direito à liberdade religiosa, que não atinge um grau absoluto.
Um adepto de determinada religião por exemplo, não pode evocar inciso VI do artigo 5° da Constituição, ou seja, suas convicções religiosas para livrar-se dos crimes estipulados no artigo 208 do Código Penal.Há que se observar o inciso VIII do artigo 5° da Constituição, que diz:
Ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, salvo se as evocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. O Brasil, por meio do Pacto de São José da Costa Rica, se comprometeu a respeitar o sentimento religioso, avaliando o documento que no artigo12.1 da Convenção, diz:
Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado.
Devem os templos de Candomblé e seus sacerdotes começar a reivindicar os privilégios e isenções que a lei assegura aos ministros de confissão religiosa e às suas igrejas, como o direito à prisão especial, a contribuição, a Previdência Social na qualidade de sacerdote e a desobrigação de recolher alguns impostos como o IPTU.
É também importante difundir a lei n° 7.716, de 5 de janeiro de 1989, não só entre as pessoas do Candomblé mas para toda a sociedade, especialmente entre negros que sofrem muito mais com o preconceito que, mesmo camuflado pelo mito da democracia racial, existe no Brasil.
Ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou convicção filosófica ou política.
Isso serve para ratificar que o caminho para viver plenamente a cidadania é o da consciência, que passa, necessariamente, pelo reconhecimento das leis que asseguram os direitos de todos os cidadãos brancos ou negros, crentes ou de Candomblé, ricos ou pobres.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sacrificios nas Religiões Afro-brasileiras

É preciso se olhar ao longe para ter a certeza de que se sabe o que se diz....
Muitas pessoas que mal sabem o que é Candomblé, acreditam saber e deter o real motivo do sacrificio....Estão muito enganados e equivocados!!!
Até onde me vai o conhecimento, o Sacrificio é sagrado desde os tempos antigos, muito antes de leis...muito antes de qualquer mortal entender o que era Fé.

O Sacrificio dentro da nossa religião é milenar incontestávelmente, de forma a nunca...EU DISSE NUNCA....ferir a integridade de nenhum ser....

Um homem qualquer pode, arrancar uma arvore necessária para o meio ambiente, pode aprisionar um animal em extinção ou animais raros, podem caçar friamente, podem disperdiçar comida e não são punidos por lei alguma, só quando são pegos, e ainda sim depois de terem cometido tudo que poderiam e não poderiam.


No que tange a cultura afro-brasileira pode se fazer uma comparação bastante óbvia....Quando se derruba uma arvore para a confecção de qualquer móvel de madeira, para que a natureza seja recompensada (pois é ela que nos dá a matéria prima) o individuo deve ser obrigado a replantar a árvore que utilizou para a fabricação do mesmo. Na nossa religião não se foge a regra os animais sacrificados são animais criados exatamente para fins religiosos, e depois de sacrificados em sua maioria a carne é aproveitada para a preparação de belos pratos servidos antes, durantes e depois das festa religiosas.

É muita hipocrisia, um ser humano que come carne, dos animais que são abatidos em matadouros, aves, ou seja qualquer animal criado para TAL FIM de forma a suprir NECESSIDADES alimentares do ser humano. Nossa religião é uma das mais solidas filosofias e crenças já existentes no Mundo...Se na época da Escravidão ela não caiu...Não há de cair agora por meia duzia de gatos pingados que julgam saber o que é certo e errado..


Atento


Olossanyin Netto T'Ologun edé







quinta-feira, 7 de abril de 2011

Algumas considerações sobre as Folhas Sagradas(Ewé)

Ko si ewé kosi Orisa

"Sem folhas não há Orisa"


Desde os tempos antigos e remoto ouvimos dizeres, sortilégios, bem feitos com nossas Ervas Sagradas, temos referências de muitas em nossas vidas atribuídas em tudo que passamos a Ingerir, digerir, sentir, tais sensações despertam diversas sensações, como Bem-estar, vibrações que passam por nossos músculos a cada sentido que se choca com nosso corpo físico, sim a Energia da Natureza, a Energia do Orisa, a energia do Mundo.



Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações dos nomes, fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Asé. Temos que ter muitas consciência de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o sumo da Erva em contato com nosso corpo, quando a colhemos.

Èwé, assunto este muito diversificado, muito delicado porque cada nação traz seu ritual porém folha é para mesma finalidade, trazer energias boas e positivadas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é necessário para o individuo que a usa.


Abaixo aqui deixo alguns de meus conhecimentos em Ewé e que Ossanyin ouça sempre nossas Aduras (Rezas):



Nome Yorubá- Àbámodá

Nome científico - Bryophillum calcinum/ Kalanchoe pinnata

Nome popular- Folha da Fortuna, folha grossa, Milagre de São Joaquim

Considerações: Usadas em Cerimônias em Ilè Ifé, Terra de Ifá, para Obatalá e Yemowo conhecidas nas terras de Orisas como Erun odundun, Kantí-Kantí, Kóropòn segundo Pierre Verger.
Alguns de seus nomes tem significado importante, Àbámodá significa "o que vc deseja vc faz",mas caso necessária para outras atribuições como substituta do Odundun (Folha-da-Costa), deve ser chamada erú odundun cujo nome significa "Escravo de Odundun", é uma folha muito positiva e considerada de muito prestígios pelos adeptos, em suas folhas nascem brotos nas bordas cujas este representam sinal de prosperidade, fato esse de ser importante na composição do Àgbo.
No Brasil considerada do Orisa Sango por muitos Zeladores porém muitos a usam para os Orisas Funfun Como Osala e Ifá.
Uso medicinal- Diurético e sedativa, combate nevralgias, encefalias, dores de dente afecções das vias respiratórias, externamente contra doenças de pele, feridas. furúnculos, dermatoses em geral .



Nome Yorubá-Ajobi,Ajobi Pupá, Ajobi oilé

Nome científico- Schinus therebenthifolius

Nome popular- Aroeira-comum, aroeira vermelha, pimenta do Peru



Considerações:
Encontradas em regiões nordeste sudeste e Sul, nos candomblés jeje-nagôs são usadas nos sacrifícios de animais quadrúpedes forrando-se o chão com ela, agrada muito o Orisa para o sacrifício. As Crenças enraizadas dizem que pela manha esta Ewé pertença a Ogun a tarde pertença a Esu e ainda sirva para vestir Ossanyin. Seus galhos são utilizados para ebós e sacudimentos.
uso na medicina: Anti-Reumático,sua resina serve para combater bronquites crônicas casca quando cozida, indicada contra feridas, tumores , inflamações em geral, corrimentos e diarréias.


Nome Yorubá-Ajobi Funfun, Ajobi jinjin

Nome Científico- Lithaea molleoides


Nome Popular-Aroeira branca, aroeira de fruto do mangue, aroeirinha.



Considerações:
Encontradas nos estados do nordeste ao sul principalmente, usada em sacudimentos, sendo considerada uma folha gún( quente), utilizadas em banho de descarrego porém seu uso é muito restrito pois não se deve levar esta folha a cabeça para banho. Em algumas casas é proibido seu uso pois dizem as crenças, que está folha desprende emanações perigosas a quem dela se aproxima necessitando uma cautela significativa para colhê-la, reações, como perturbações na pele e nos olhos,
Uso na medicina:
Excitante e diurética , o cozimento da casca serve para combater diarréias infecções das vias urinarias.....
Algumas informações tiradas do livro de Estudo Ewé Orisa de José Flávio Pessoa de Barros, conhecedor nato das folhas.


Nome Yorubá- Akòko

Nome científico- Newboldia laevis Seem

Nome popular-Acoco


Considerações:
Origem África, considerada arvore abundante, provedora de Propriedade, assim diz as explicações no livro Ewé Orisa de José Flavio Pessoa de Barros, Atribuída ao Orisa Ossanyin e Ogun, esta Arvore na África acomoda em suas sombras assentamentos do Orisa Ogun onde seu culto é Extenso ,na cidade de Iré .
Também usada no culto aos Ancestrais goza de muito prestigio em nossa Religião.


Nome Yorubá- Amúnimúyè

Nome científico- Centratherum punctatum

Nome popular- Balainho de velho, perpétua


Considerações:
“Planta considerada misteriosa devida atribuição de seu nome cujo “significa “ apossa-de de uma pessoa e de sua Inteligência”, por isso usada na iniciação e no agbò de Orisa seu objetivo facilitar o transe do Iyawo que está pra nascer, porém esta folha detém este nome pela relação que tem com uma Lenda e que Ossanyin da um preparo para Ossossi beber, no qual depois caiu em um esquecimento profundo passando acima morar nas matas com Ossanyin. Ressalto que este preparo vai muitos outros ingredientes no entanto está Ewé seria considerada indispensável junto a outras.



Nome Yorubá- Apáòká

Nome científico- Artocarpus integrifolia

Nome popular- Jaqueira

Considerações:
No livro Ewé Orisa esta arvore de Origem Indiana medra em diversas regiões inclusive África e Brasil.
Apáòká significa Opa= cajado, cetro+ Oká= serpente africana, nome de uma entidade fito mórfica considerada a mãe de Osossi, cultuada em uma Jaqueira.É uma arvore Sagrada, suas folhas são usadas para assentar Esú e em banhos para os filhos de Sango, porém seus frutos não devem ser consumidos por esses iniciados
Seu nome na África Tapónurin cita Verger.
uso medicinal: Os caroços da Jaca assados ou cozidos são afrodisíacos, a folha é usada como estimulante, antidiarréico, antiasmático e expectorante.

(Citação de Joje Flávio Pessoa de Barros).



Nome Yorubá- Étipónlá

Nome cientifica- Boerhaavia difussa L.

Nome popular- Erva Tostão, bredo de porco, pega pinto, tangaraca


Considerações:
Encontrada em todo território nacional atribuída a Sango e Oya goza de grande prestígio nos terreiros como planta "contrafeitiços", ao atribuí-la ao banho deve se ter cautela pois em demasia pode provocar reações alérgicas no corpo.reverenciada nos rituais de folha com korin (Ifá owó ifá omo, Ewé Étipónlá 'Bà Ifá orò' cujo significado diz:" Ifá é dinheiro, Ifá são filhos, a folha de Étipónlá é abençoada por Ifá "
uso medicinal: combate afecções renais e das raízes desta Planta se faz um vinho que é diurético e regularizador das funções hepáticas.



Nome Yorubá- Ewé Ogbó

Nome cientifica- Periploca nigrescens

Nome popular- Cipó-de-leite, orelha de macaco, folha de leite, Rama de leite.


Considerações:
Planta trazida do continente africano pelo povo Nagôpara o Brasil, encontra-se em florestas sombreadas ou nos próprios terreiros de Candomblé.
Todos os iniciados podem usá-la sem restrição porém seu dever que é tirar a consciência do filho de santo só é ativado quando combinados com outras folhas.
Dizem os mais velhos que a estória dos Orisas narra esta folha como a primeira a se liberada por Ossanyin quando se fez o Vento de Oya, passando a ser folha de Ossossi porém em algumas outra nações ela é quista com folha principal de Osala, citação de minha pessoa.
Uso Medicinal: Tratar Epilepsia. Outros nomes que são atribuídos a ela são, Ogbó funun, Ogbó pupa, Asogbókan, Asóbomo e gbólogbòlo, cita Verger.


Nome Yorubá: Ewé Ojúùsajú

Nome cientifico: Petiveri Alliacea L.

Nome Popular: Guiné, guiné pipiu, erva-guiné, erva de alho.

Considerações:
Folha encontrada em todo território nacional, porém Verger diz que está Ewé foi levada do Brasil para Nigéria.
Usada para defumações e sacudimentos de pessoas e de casas cujo ação é contra Eguns e "Esus" negativos e em banhos para lavar fios de conta e até cabeça de filhos de santo, atribuída a Ossossi e a caboclos.
Na África usada por Babalawos para combater feitiços e obter respeito de "Yami" cita Verger.
Os filhos de Osala e Yemonja em cuba são proibidos de usar esta folha, pois é considerada Ewó em suas origens.
Uso medicinal:
Contra dores de cabeças, enxaquecas, nervosismo e falta de memória, porém em muita quantidade pode atingir as vistas chegando provocar até perda da visão pois é uma Ewé tóxica principalmente a Raiz.
A Tintura que se obtém desta Ewé tem uso externo em fricções no combate a paralisia em geral e reumatismo e a raiz usada contra dor de dente.

(Salvo Professor José Flavio Pessoa de Barros)



Nome Yorubá- Ewé Lárà Funfun

Nome cientifico- Ricinus communis L.

Nome popular- Mamona, Mamona Branca, mamoneira, Palma de Cristo.


Considerações:
De origem Africana que era encontrada no Antigo Egito. Ocorre com muita fartura em todo território nacional.
Folha com diversas finalidades nas festividades como Olubajé ritual de Obalwuayie, Sassanhe, Ebós etc...
Atribuída a Osala é uma folha muito usada pelos adeptos, sendo indispensável em alguns rituais.
Uso medicinal:
As folhas cozidas com sal podem aliviar o inchaço dos pés, e contra prisão de ventre uma vez que esta Ewé possui uma semente que paralelamente é absorvido dele o óleo de Rícino, é purgativo.



Texto e Adaptação de Amaro Santana Silva Netto - Netto T'Ologunedé (Olossanyin)
Pesquisa realizada no Livro éwè orisa de José Flávio Pessoa de Barros

Ologunedé e a Sexualidade

Nos dias de hoje, é admissível que os "leigos" (digo leigos porque são pessoas  que não se aprofundam no conhecimento da essência do orixa, mas em sua superficialidade e artigos contestáveis).
De uma vez por todas afirmo....Logunedé é orixa Abòró, guerreiro caçador importante, senão o mais importante caçador em sua região de culto....
Ologunedé, não influência a sexualidade do seu escolhido, não torna seus filhos afeminados, muito menos tranforma-se em mulher...Logunedé é o mistério encantado :

Ològún , fihòn awo 
Logunedé mostra a pele que desejar
 Funfun lóni,ni òla
Se mostrar pele clara hoje
 Ó yióó filhòn dúdú
Amanhã mostrará pele escura

Orixa metá-meta porque congrega em si 3 personalidades: A da mãe Osun (não de uma mulher) a do pai Odé (não de um homem) e a de si mesmo (não de um andrógino).
O que tento aqui é fazer um apelo...Logun nunca foi e nem será responsável pelas escolhas dos seus filhos..Não há interferência...Não há sequer uma influência....Se para Ologunedé o que lhe melhor define é a premissa de MEtá-Meta (aquele que é Três contidos em 1) nós, os filhos dele podemos dizer ser Aquele que contém Um pouco de Osun, um pouco de Odé, Ologunedé e nós mesmos, porque ainda sim existe nossa personalidade, nossa vontade, nosso desejo e anseio.
Para começar a entender quem é Ologunedé, conheça a si mesmo primeiro.

Os filhos de Ologunedé são o que chamamos de mistério sobre a terra...A inconstância dos sentimentos...Logunedé Ni dé Osun, Ni dé Odé, Ni dé Logun!!!

Mojubá
Netto T' Ologunedé

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nem o certo, nem o errado, apenas o coerente!!!


Tudo aliás é a ponta de um mistério. Inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.


O Verso de Logundedé

O olho a mirar-se retoma às questões edipianas das quais se funda o ser. E é com um olhar, talvez sublimado, que nos velamos a apreciar o apreciado. É preciso, contudo, temer o reflexo pois o convite reafirma a passagem, paisagem, que implicam em atalhos. Sigamos seguros de nossos passos para não nos perdermos nas estreitas trilhas/linhas da mata, nem nos afogarmos na água encantado com o seu canto… A ordem, por sua vez, se desfigura à medida em que nos deparamos às avessas, com o (in)verso que se torna o (uni)verso. Sendo assim, as histórias - não as da fada - mas a do próprio homem constitui num material inacabado no que o projeta além.
E projetando, sempre, reportemo-nos à memória como fonte a agregar em nós os símbolos preexistentes de uma conjugação sensitiva. Recorramos, portanto as histórias da água e de seu morador como uma tentativa exausta de prendê-los, sabendo ser (im)possível, sugerimos à água, fonte inesgotável, a jorrar sempre, o novo. O conto não se trata “daqueles” de pescador, mesmo sendo Logunedé o pescador e o peixe. Paradoxo à vista, visionamos, ao longe, o campo onde se constitui as tramas desse orixá.

A trajetória enquanto ato rítico consiste ao culto dos deuses iorubanos, do povo Ijexá, trazido pelos negros escravos a partir da travessia oceânica. O percurso dos ancestrais perpetua, de modo a nos fazer voltar, senão à origem, aos verdadeiros descendentes da tribo a contar. Sobre esse contar, a manifestação da vida se fez/faz presente - ethos do povo - a presentear pelos tempos, o culto que se tornou divino pelos ritos do candomblé, desestruturando o tempo na cadeia da língua que se assume sobre os mitos.

A conferência ao mito forja o tempo real, seguindo o curso dos homens na continuidade do tempo, contando-os. O povo poeta guarda os segredos camuflados da natureza interpretados por deuses numa escala de iniciação. A voz que se assume não é a das musas, mas a do poeta povo que se preserva a partir da fala em que se situa o sagrado como manifestação da própria vida. Neste seio, a única garantia do mito é de manter-se sempre a ser desvelado, desvendando; como segue a fala do autor: “Os mitos persistirão, nós não, ser poeta é um pouco esta ilusão”. Pela ilusão do poeta é que nos carregamos de sentidos a apreensão e a invenção das palavras a se assumir quando o “nada que é o tudo”. Onde o destino faz-se uno à Natureza, de todos os homens, de todos as épocas.

A palavra mistério também apresenta a mesma raiz de mito, formou-se pelo verbo myeisthai, traz o sentido de silenciar, velar. No entanto, silenciando o canto, ouvimos o ruído das mensagens não ditas. E, através do mito, percorremos os rastros de Logunedé que mantém viva à lembrança desse ancestral nas cantigas de rodas

Olóro a K’ofá re o a K’ofá re o
Rere, a K’ofá
Èmi o re’le Logum o
Re’le a K’ofá

A memória que se doa ao tempo torna-se a fala cantada da trajetória iniciática que antecede as novas formas humanas. Por isso o percurso dos deuses assemelha-se a própria natureza metamorfoseando sempre. Cabe, analisarmos a iniciação como apenas uma das múltiplas etapas que confere o ser quando o ser passa a Ser. De modo que, sua ação, recai a nossa criação, uma vez envolvido no todo/tudo/nada. É implícito, contudo, a impressão das várias mensagens que nos chegam aos ouvidos, o que demonstra a fragmentação da obra a partir da própria contestação dos fatos. Comprovar as provas no que exprimem essas falas torna-se impossível. Do mais, o material a que nos dispusemos confere ao próprio caminho (in)certo pelo qual passa o ser em suas fases. Como elucida um de seus orikis:

“Ológum fihón/ funfun loni ni òla/ ó yióò fihón dúdú”, tendo como idéia: “O feticeiro mostra a pele que desejar: se mostrar pele clara hoje, amanhã mostrará pele escura”.

Contam que Erinlé se afogou num rio. “O culto a esse rio e a Erinlé se confundem”, pois em homenagem ao caçador, as águas recebem o seu nome. Com relação ao nomear, várias alusões podem ser feitas à medida em que o ser torna-se o Ser nas profundezas (da água). “O nomear é sempre uma ultrapassagem. Daí porque a literatura se assume, se caracteriza como reino do além. Além do dito, além do sentido, além do pensado, além da nossa capacidade de compreender e de interpretar na totalidade. Além de nós mesmos”
Nota-se que a tramutação se deu no ato do isolamento. Sobre este aspecto nos espelhamos leitores e escritores de nós mesmos. No entanto, é preciso estar atento ao isolar-se, como confere, com bastante lucidez, a professora Kátia Veillard: “Quantas vezes pode-se estar enclausurado em torres, presos em armadilhas de orgulho e vaidade? Quantas vezes o ser humano vê-se em torres reais ou imaginárias impossibilitado de estabelecer comunicação com o mundo circundante, insensível aos problemas e acontecimentos contemporâneos?” Refiro-me, todavia, ao ato de isolarmo-nos para ouvirmos o silêncio do texto e o que ecoa de nós nele. O ato solidário, à medida em que é desempenhada a função de descobrir-se. Não é à-toa que a cultura ocidental prega o coletivo, de forma que não nos abtuamos à dor do só.

Contam, ainda, que o rio Erinlé continuava a correr quando encontrou Oxum nas aproximidades de Edé; e, do mesmo modo em que há duas fontes no jardim de Vênus, os dois rios se encontram, unindo-se. Dessas águas em deslizamento, surgiu o filho das águas: Logunedé.
Por sua vez Logunedé assume o arquétipo do filho sendo regido e regendo o fluxo do corrente. É ele o filho/deus do amor. O único destino dos homens, o que nos aproxima dos deuses. Por isso qualquer devaneio sobre esse sentir, gera em sua motriz, formas perspicazes e sofisticadas a efeito de arte como tentativa de explicitá-la. Amor, como desenvolve Affonso Romano de Sant’Ana, nada tem a ver com ama em grego, embora este signifique juntos. Podemos ampliar este significado com eros mas a raiz dessa palavra indica atividade. O vocábulo egípcio traz a raiz MR, era representada por uma espécie de pá ou de cavadeira de camponês abrindo a terra. O fato de amar, produtivo e fecundante, implica ação, o semear cavando e movendo a terra, e para grafar a palavra amor, os egípcios usavam seu alfabeto especial e não o popular, porque sabiam também que o amor é coisa para os iniciados. Ao contrário de Freud, que analisa o amor como uma sublimação da pulsão sexual (Eros). Uma energia insatisfeita, uma carência em busca de completude.

Cabe a Logunedé, por excelência, o campo da bipartição, do duplo. Porque ele congrega, segundo dizem, as formas do pai e da mãe. É por isso que o espreitam tentando desvendar seu sexo (homem, mulher, macho fêmea. Andrôgino?…) e sobre essa acusação, a ação maior se prende, deixando-o transludir às outras passagens. De modo, preferimos seguir a fase infantil às outras, aludindo-nos ao imaginário para compreendermos o universo do qual se torna nosso verso, poesia rítmica. Pulso vital.

Logunedé é a máscara da fase primeira, inocente, pueril. Tramita nos barquinhos a travessia travessa que fazemos pelos mundos. O passageiro é a própria fase, segura no tempo, segura nas águas. E, nestas águas, tudo é possível, todos os caminhos são seguros.

O seu nome indica a marca do ritual, do mágico, das poções. É aquele que conhece os enigmas a ponto de fundir-se, tornando-o também um enigma. Envolvido às poções, e sendo ele uma delas, obtém o poder da transmutação. Assim sua imagem se transludi ao que desejar possuindo como a própria água, todas as formas e até desejo. Sobre esse aspecto, é provável levantarmos questões quanto a busca da identidade, por isso todas as tentativas, todas as formas de formar-se a ponto de em uma suprir a existência do ser que passa a (ser)es enquanto cópia, modelo, série - moldes por sinal bem adequados a era da modernidade.

E diante de tanta reprodução, como produzir? Como se tornar espelho sem se deixar refletir? Fundi-se a partir de tal, a imagem da miragem. Os nossos olhos, como confere Guimarães Rosa, “padecem de viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram”. Sobre esta temática: a do olhar, possibilitamos o não possível como jogo de uma esfera em que nossas leis não são aplicadas. O território é estrangeiro, onde habitam os reinos que nos reina. Assim, Logunedé torna-se passageiro de seu próprio ser a partir dos seres mascarados que (o/se) esconde, por isso, segundo dizem, assume em seis meses as características da mãe e se banha nas margens mirando-se num espelho, e nos outros restantes, se personifica a imagem paterna, tanto que se arma na selva para continuar a caça.

Apropriando-nos do símbolo paterno temos dois objetos a analisar: o arco e a flecha. O primeiro, em sua estrutura, nos apresenta a forma de um portal, logo associado a passagens. O segundo, por sua vez, assume o elemento fálico, símbolo da penetração. Indica também a direção em cujo sentido é de tornar-se o alvo, o centro do ser. É de fácil alusão pensarmos na projeção do deus, tendo como vista que essas flechas nunca deixam de atingir o alvo. O que seria o despertar dessa flecha? E o que atingir? A saber, várias figuras são mencionadas armadas a flechas: há um registro no manuscrito italiano do século XII, em que Deus aparece expulsando Adão e Eva a flechadas; tal como Apolo , na Ilíada, perseguindo os gregos. Kama, o deus do amor, é representado por cinco flechas. Cupido também se arma a golpear-nos. Por este lado, a flecha apresenta o sentido da morte, a morte dos sentidos.

Em analogia à mãe Oxum, o espelho torna-se o referencial a aquisição do ser quando a representação do objeto traduz signos a apreensão dos sentidos no que confere a própria matriz fecunda a gerá-lo. O espelho, não é visto como mero objeto pois ele também se faz objeto a ponto de representá-lo, fundí-lo em imagem e miragem. O espelho nos remete a idéia do observador, aquele que especula o céu e os movimentos das estrelas, portanto, de esfera superior.

O espelho apropria o símbolo dos símbolos, uma vez que reflete tudo o que é. No tocante, quais as armadilhas impostas no ver quando condensadas a realidade? Sofre com isso, a impressão fragmentada da própria imagem onde o ser se constitui. É cabível mencionarmos a gama de imagens na esfera midiática fazendo com que a nossa imagem seja vinculada, cada vez mais, a miragem. Tendo-nos impressões ou certezas a ilusão é posta, cegando-nos das possibilidades de ver o objeto como ele é. Recai, contudo a própria apropriação que fazem de nós e que fazemos do mundo dependendo dos modos/moldes implícitos no olhar. Os espelhos, pelo menos no senso comum, não mentem, daí a consulta a eles interpelados por perguntas célebres como: “Espelho, espelho-meu…”.

Oxum, associada à Vênus, é descrita como uma bela mulher que vive às margens das cachoeiras e rios mirando-se. O que tanto, afinal, vê? A trama se envolve, como a exemplo de Narciso, à contemplação da bela imagem ou da imagem bela - efeito estético, almejado por padrões de beleza e moda. É sabido que a humanidade mirou-se nas superfícies das águas com o intuito de se ver. De lá para cá, esse fascínio hipnotizante é responsável pelos grandes conflitos existenciais, assim: “Narciso fica ao abandono, lutando num jogo erótico à beira do lago, para alcançar a imagem (objeto do amor)”

A ação é baseada, a princípio, em olhar para a superfície/espelho, quando há nele(s) a profundidade da qual se esconde o ser. O olhar a superfície seria apenas uma das etapas, talvez a mais inocente, não é à-toa, que despreocupadamente, usamos o termo “na superfície” para indicar algo superficial. A profundidade torna-se o nosso fantasma, o pavor a adiar.

Desafio proposto: desbravamo-nos a olhar-nos… Em comum, a postura do olhar segue destacando o horizonte que representa o corte, tanto na horizontalidade, quanto na verticalidade. E esse corte não é gratuito. Ele possibilita um novo caminho, uma nova travessia, um estagio efêmero que exige outras travessias. Sobre este ponto, a alusão ao espelho, pode-se dar ao próprio horizonte por onde perpassam as águas. A postura do olhar deve ser analisada, uma vez em que se projeta - como a flecha - àquilo que somos. Adiamos o encontro com as águas dos lagos, mas, irremediavelmente, nos vemos através dos livros. Este movimento insere, de certa forma, o olhar para o horizonte onde se espalha/espelha nossa própria imagem, sem facetas, sem máscaras. Por isso tanto nos fascina o horizonte, o além mar, onde moram seres do nosso imaginário.

E é pelo imaginário que o convite nós é, portanto feito. Os instrumentos não são mais representações de Erinlé e Oxum, mas a do próprio Logunedé que possibilita o deslocamento necessário quanto aos moldes humanos/mundanos.

Refletindo, ainda, pela simbologia dos objetos, o desenho das formas constituem uma continuidade, no que tange a estrutura do molde objetal. O arco-flecha desenha os traços horizontal e vertical numa objetiva de 180º C. Congrega o simbolismo da movimentação dos elementos, de cima para baixo, de baixo para cima a partir da horizontalidade.

O espelho, contudo, ultrapassa o vazio deixado nos outros 180º C., segue a forma perfeita da circunferência, desviando, assim, a horizontalidade supostamente calcada no objeto de signo masculino. A movimentação se dá sem nenhuma interrupção (360º C). Assim, todas as direções se tornam iguais, tendo como ponto, o início, o centro, o alvo. A flecha segue instintivamente o mirado, faz-se o ponto marcado por onde todas as direções serão dadas, como a água que emerge da terra para seguir os astros do céu. E, após ter freqüentado os ares, desce, novamente, a preencher a escala do ciclo que não ser inicia, apenas continua.

Notemos que os vestígios do chefe tribal são contados sobre a condição humana. O que nos sobra dessa experiência nas águas resulta num preenchimento do vazio, a partir do filho como continuação de algo, como continuação dele mesmo. Erinlé se desfaz da cena, dando novo vigor à atmosfera de Logunedé, pois o que é contado, sobre o pai, pára por aqui. O que se sabe a partir é sobre o nascimento de ser(es). Cabe lembrar que o nascer nas águas de Edé, nos remete a divinização enquanto manifestação de vida/morte/vida. À rigor, ambas andam lado a lado, ou se tornam uma… Logum manifesta em sua presença a mesma potencialidade, pois ao nas(cer), é nascido com ele, o Ser, como Buda, que já nascera Veda. Por isso sua morada, seu batismo em cujo azul torna-se tão profundo, lá vivem seus animais estimados.

No entanto, mesmo morando no azul da água, Logunedé se mostra às vezes, com a mesma arma, indo habitar a “terra” do pai e a caçar como ele fazia. Por outro lado, assim como na outra margem, sua mãe Oxum, vive na posse de um espelho - relação direta ao céu, quando a prática a esse costume fora influenciado pelos árabes a verificação dos astros e estrelas. Se a trajetória iniciática do chefe nos é contada antes da transmutação, desconhecemos, todavia, a trajetória de Oxum anterior às águas, levando em consideração a morada que faz necessária a “travessagem” do ser.

O que podemos prever, possibilitados pelos objetos, é que o signo masculino detém os instintos, àquilo que há de mais primitivo em nós. Homem e terra em culto. À propósito, a palavra cultura apresenta a mesma raiz do verbo “colo”, significa cultivar a terra, de onde se extrai e tudo se deposita. Sobre este signo, a representação se estende ao artesanal, ao agrário, onde o ritmo do trabalho se mesclou ao som desses instrumentos doados a musicalidade da rotina. Se porventura, Erinlé não mais o usa, não devemos esquecer que, de alguma forma, esse processo esteve amarrado a sua história. O processo de descobrir-se envolve todas as etapas do ser, por isso o filho se autentica, afirmando a história primitiva, que engloba não apenas o ser, mas o que somos. Logunedé se porta a imagem do pai, representando uma tribo, talvez inexistente… De qualquer modo, em sua estrutura há a memória por ser tornar o sobrevivente de um ser, raiz selada, guardada, representada a partir de máscaras ora andarilho, ora nadador.

No emblemático espelho, sugerido olhos de Oxum, o ser torna-se aquilo que é: divinizado, espelhado em essência atingido pelo alvo e sendo o próprio alvo. Uma alusão portanto ao futuro, àquilo que seremos, como se já estivesse escrito nas estrelas. A movimentação, já dita anteriormente, faz-nos crer nessa constituição a partir do movimento subjetivo para o baixo, para a água que se torna a morada do ser. Por sua vez, Oxum, através do espelho, nos remete a movimentação para cima, até porque o que é mirado nas águas naturais senão o céu.
Na terra, Logunedé refaz o mito quando se distingue do que verdadeiramente somos/seremos. Unido no corpo-todo/todo-corpo, resta-nos, sobretudo, a impressão mutilada dos sexos dos anjos, lembrando-nos que anjos não têm sexo.

De modo, o que é original a Logunedé é a origem do ser que se torna ser a partir da origem. Onde habita o “nada, o adan, o dna”.

Lá Logunedé torna-se o pedido daquela tribo antiga que recorria às águas que iam, a volta do chefe Erinlé. A profecia de Orumilã se cumpre, as oferendas são aceitas, por isso o amuleto se apresenta em potencial. Não é dito, por sua vez, se Logunedé é reconhecido como manifestação de Erinlé pela tribo, e nem se a tribo ainda existe, pois sozinho vive. Do mais, o que compete a nós senão apreciar o caminho impressionista do orixá; a fazer estrela do céu, brilhar no mar; cavalo da terra, a nadar. Todas as formas, todos os cultos, toda a vida. Coisas simples que o homem envolve em mistério.

Cria mito.
Façamos parada em um ponto/porto, não frustrados, mas seguros de que a travessia total é impossível ao homem, a não ser àquele que segue o menino, que faz a barca para navegar sem fronteiras, limitando-se a desbravar seus mitos, seus mistérios; conhecendo-se, navegando sem fim pelo mundo palpitante que corre à travessia. A sua casa é o mito, e nós, sua morada.